A concordância e a função comunicativa da linguagem: uma visão ecolinguística

Hildo Honório do Couto

Resumo


RESUMO: O principal objetivo deste artigo é defender a tese de que, para a visão interacionista da linguagem, a chamada concordância só é necessária em línguas de posição livre dos constituintes da oração, como o latim. Em línguas de posição fixa, como o inglês, o francês e o português, a flexão/concordância é desnecessária para o entendimento. Tanto que em situações de crise, como contato e aquisição de línguas ou de variação, bem como de relaxamento da pressão normativa, a flexão/concordância tende a não existir, como ocorre nos dialetos rurais e populares do português brasileiro. Exemplos de outras línguas são trazidos à baila para provar essa tese.

PALAVRAS-CHAVE: Concordância, variação linguística, interação comunicativa.

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DOI: http://dx.doi.org/10.18364/rc.v1i46.7

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