A produção escrita no ensino fundamental: o quê, como e para quem se escreve?

Vanessa Wendhausen Lima, Vanessa Arlésia de Souza Ferretti-Soares, Ederson Luís Silveira

Resumo


RESUMO:
A partir de 69 relatórios de 17 professores acerca do trabalho desenvolvido em turmas do Ensino Fundamental II, na região do Vale do Itajaí/SC, o presente artigo tem por objetivo apresentar reflexões acerca de três pontos norteadores: a) o quê; b) como e c) para quem se escreve nas aulas de português. A partir de reflexões pautadas no estudo dos letramentos, percebeu-se que há legitimação de práticas de letramento escolar pautadas no modelo autônomo e eventos reconfiguradores dessas práticas, que contribuem para a efetivação do letramento ideológico, com interações que envolvem sujeitos para além da sala de aula, incorporando também os sujeitos situados nas instâncias de ensino e aprendizagem.

PALAVRAS-CHAVE: ensino de língua portuguesa, letramento; produção textual; gêneros discursivos.

Texto completo:

PDF

Referências


BAKHTIN, M. [VOLOSHINOV, V. N]. Estética da Criação Verbal. 2ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 2003 [1952/53].

_______. Marxismo e Filosofia da Linguagem. 12. ed.São Paulo: Hucitec, 2006 [1929].

BARTON, D.; HAMILTON, M.; La literacidad entendida como práctica social. In.: ZAVALA, V.; NIÑO-MURCIA, M. LIMA, P. A Escritura y sociedad: nuevas perspectivas teóricas y etngráficas. Red para El Dasarrollo de lãs Ciencias Sociales em El Peru, 2004. p. 109 - 139

BONINI, A. Mídia, suporte e hipergênero: os géneros textuais e suas relações. RBLA, Belo Horizonte, v. 11, n. 3, p. 679-704, 2011.

BRASIL (1998) Parâmetros Curriculares Nacionais: 3º e 4º ciclos do Ensino Fundamental: Língua Portuguesa. Brasília/DF: MEC/SEF

BRITO, L. P. L.A sombra do caos: ensino de língua x tradição gramatical. Campinas, SP: Mercado de Letras; ALB, 2006.

BRONCKART, J-P. Os Gêneros de textos e os tipos de discurso como formatos das interações propiciadoras de desenvolvimento. IN: BRONCKART, J-P. Atividade de linguagem, discurso e desenvolvimento humano. Campinas: Mercado de letras, 2006. p. 121-159

FERRETTI-SOARES, V. A. S. Concepção dialógica da linguagem e o ensino de língua portuguesa: uma reflexão a partir de relatos de professores da rede municipal de Blumenau/SC. Working Papers em Linguística, Florianópolis, v. 13, p. 37-57, 2012.

GERALDI, J. W. Portos de Passagem. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1993.

______. A aula como acontecimento. São Carlos, SP: Pedro e João Editores, 2010.

HEATH, S. B. What no bedtime story means: narrative skills at home and school.

Language in Society, Cambridge, Vol. 11, n. 01, Abril, 1982, pp 49-76.

INSTITUTO PAULO MONTENEGRO. INAF Brasil 2009: indicador de alfabetismo funcional: principais resultados. São Paulo, 2009.

______. Relatório INAF: um balanço dos resultados de 2001 a 2005. São Paulo, 2006.

JULIA, D. A cultura escolar como objeto histórico. Revista Brasileira de História da Educação, n.1. Campinas, jan/jun. 2001. p. 9- 43.

KALMAN, J. El acceso a la cultura escrita: La participación social y la apropiación de conocimientos em eventos cotidianos de lectura y escritura. Revista Mexicana de Investigación Educativa, enero-abril, Vol. VIII, n. 17. Consejo Mexicano de Investigación Educativa. Mexico, 2003. p. 37 - 66

KLEIMAN, A. (Org.) Os significados do letramento: uma nova perspectivasobre a prática social da escrita. Campinas: Mercado de Letras, 1995

KLEIMAN, A. Letramento e suas implicações para o ensino de língua materna. Signo, Santa Cruz do Sul, RS, v. 32, n. 53, 2007, p. 1-25.

MARCUSCHI, L.A. Gêneros textuais: definição e funcionalidade. In: Gêneros textuais e ensino. Rio de Janeiro: Lucena, 2003, p. 20-36

MOITA LOPES, L.P. “Uma linguística aplicada mestiça e ideológica: interrogando o campo como linguista aplicado”. In: MOITA LOPES, L.P. (Org.) Por uma linguística aplicada indisciplinar. São Paulo: Parábola, 2006, p. 13-44.

RAJAGOPALAN, K. Por uma lingüística crítica: linguagem, identidade e questão ética. São Paulo: Parábola, 2003.

RODRIGUES, R. H. A constituição e o funcionamento do gênero jornalístico artigo: cronotopo e dialogismo. 2001. 374 f. Tese (Doutorado em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem) – Faculdade de Filosofia, Comunicação, Letras e Artes, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo.

ROJO. R. Gêneros de discurso/texto como objeto de ensino de línguas: um retorno ao trivium? In: SIGNORINI I. (Org.) [Re]discutir texto, gênero e discurso. São Paulo: Parábola, 2008. p. 73-103.

SCHNEUWLY; B.; DOLZ, J. Gêneros orais e escritos na escola.Campinas: Mercado de Letras, 2004.

SCRIBNER, S.; COLE, M. Desempaquetando La literacidad. In.: ZAVALA, V.; NIÑO-MURCIA, M. LIMA, P. A Escritura y sociedad: nuevas perspectivas teóricas y etnográficas. Red para El Dasarrollo de lãs Ciencias Sociales em El Peru, 2004. p. 57 – 77.

SOBRAL, A. Interfaces entre Texto, Discurso e Gênero nos Estudos da Linguagem: uma perspectiva bakhtiniana. In: FIGUEREDO, D. C.; BONINI, A.; FURLANETTO, M. M.; MORITZ, M. E. (Org.). Sociedade, cognição e linguagem. Florianópolis: Insular, 2012, p. 21 - 40

STREET, B. V. Literacy in theory and practice. Cambridge: Cambridge University Press, 1894.

______. Literacy events and literacy practices – theory and practice in the New Literacy Studies. In: MARTINJONES, M.; JONES, K. Multilingual literacies: reading and writing different worlds. Philadelphia, USA: John Benjamins, 2000. p. 17-29.

______. Os novos estudos do letramento: histórico e perspectivas. In. MARINHO, M.; CARVALHO (org.). Cultura escrita e letramento. Belo Horizonte: Editora da UFMG, 2010. p. 33 - 52

STREET, B. V. Social Literacies. Critical Approaches to Literacy in Development, Ethnography and Education.Harow: Pearson, 1995.

STREET, B. V. Abordagens alternativas ao letramento e desenvolvimento. Teleconferência Unesco Brasil sobre ‘letramento e diversidade’, outubro de 2003.




DOI: http://dx.doi.org/10.18364/rc.v1i47.42

ISSN: 2317-4153 | Indexadores